Sexta-feira, 24 de Dezembro de 2010

Nos últimos 15 anos, o conflito político entre Judeus israelitas e Árabes palestinos tem sido conotado como uma guerra religiosa onde líderes como Yasser Arafat, Hassan Nasrallah e Osama Bin Laden têm apelado à autoridade do Corão de maneira a sustentar o seu objectivo de eliminar o Estado de Israel. A autoridade do Corão tem sido também citada para defesa do "revisionismo histórico" que procura negar a ligação histórica do povo Judeu com a cidade de Jerusalém e seus locais sagrados, incluíndo o Monte do Templo (também conhecido como Monte Moriah). Ignorantes relativante aquilo que o Corão diz sobre Jerusalem, os jornalistas ocidentais têm recentemente ignorado provas históricas e arqueológicas, dando igual valor às supostas narrativas em competição entre Judeus e Muçulmanos: Judeus insistem em acreditar que houve um templo judaico em Jerusalém, quando o Corão estabelece que as reinvidicações históricas e religiosas dos Judeus são falsas.

 

A transformação de um conflito político pela terra numa guerra religiosa é um dos objectivos mais perigosos e assustadores dos políticos radicais islâmicos - mas nada tem a ver com o Corão.

 

Aqui, o líder comunitário muçulmano e erudito corânico Sheik Abdul Hadi Palazzi examina o que o Corão diz sobre a ligação do povo Judeu com a terra de Israel. Longe de negar as reinvidicações da presença Judaica no Monte do Templo, o Corão de facto confirma os feitos Judaicos na construção do Templo de Salomão em Jerusalém e apoia a reinvidicação bíblica de que a terra de Israel foi dada por Deus aos Judeus.

 

1. Soberania Judaica em Jerusalém

 

Em Agosto de 2002, o designado por Arafat "mufti de Jerusalem e da Terra Santa", Ikrima Sabri, diz à imprensa ocidental que "não existe a mais pequena indicação da existência de um templo Judaico em Jerusalém no passado. Em toda a cidade, não existe sequer uma pedra que indique história Judaica." Dizendo isto, confirmou o que Yasser Arafat já havia dito ao jornal árabe al-Hayat situado em Londres e reportado repetidamente a Bill Clinton e Ehud Barak em Camp David: "Os arqueólogos não encontraram uma única pedra que prove que o Templo de Salomão esteja lá porque historicamente o Templo não estava na Palestina."

 

Ao fazer tais declarações, Sabri e Arafat não negam somente dados histórico-arqueológicos e os ensinamentos da Bíblia, mas também negam as palavras do Corão. Desde o tempo da revelação do Corão até recentemente, todos os Muçulmanos unanimemente aceitavam que Haram as-Sharif, ou Esplanada das Mesquitas, onde a Cúpula do Rochedo existe hoje, permanece no mesmo local onde ambos os Templos haviam existido. De facto, Haram as-Sharif, inclui um local chamado Maqam Sulayman, onde, de acordo com a tradição Muçulmana, Salomão fazia súplicas enquanto os mações de Hiram se dedicavam à construção do Templo. Desse mesmo local, a tradição Muçulmana diz que Salomão rezou para dedicar a Casa no momento em que estava pronta e que intercedeu para aqueles que se acercaram para adoração.

 

 

Aceitar que o Templo de Salomão existiu em Jerusalem é compulsório para todo o Muçulmano crente, porque isso é o que o Corão e a tradição oral Islâmica, chamada Sunnah, ensinam. No Corão, Surah Bani Isra'il (Capítulo dos Filhos de Israel), versos 1-7, encontramos uma descrição do Templo de Salomão e de como foi destruído duas vezes pelos inimigos do povo Judeu:

 

Glorificado seja Aquele que, durante a noite, transportou o Seu servo (Maomé), tirando-o da Sagrada Mesquita (em Meca) e levando-o à Mesquita de Alacsa (em Jerusalém), cujo recinto bendizemos, para mostrar-lhe alguns dos Nossos sinais. Sabei que Ele é Omniouvinte, o Omnividente. E concedemos o Livro a Moisés, (Torah) que transformamos em orientação para os Filhos de Israel, (dizendo-lhes): Não adopteis, além de Mim, outro guardião! Ó geração daqueles que embarcamos com Noé! Sabei que ele foi um servo agradecido! E lançamos, no Livro, um vaticínio aos Filhos de Israel: causareis corrupção duas vezes na terra e vos tornareis muito arrogantes. E quanto se cumpriu a primeira, enviamos contra eles servos Nossos poderosos (Babilónios), que adentraram seus lares e foi cumprida a cominação. Logo vos concedemos a vitória sobre eles, e vos agraciamos com bens e filhos, e vos tornamos mais numerosos. Se praticardes o bem, este reverte-se-á em vosso próprio benefício; se praticardes o mal, será em prejuízo vosso. E quando se cumpriu a Segunda cominação, permitimos (aos vossos inimigos) afligir-vos e invadir o Templo, tal como haviam invadido da primeira vez, e arrasar totalmente com tudo quanto havíeis conquistado.

Imam Abu Abdullah al-Qurtubi, que viveu de 1214 a 1273 e foi um dos mais competentes comentaristas Corânicos medievais, explica em Al-Jami'li Ahkam il-Qur'an - Enciclopédia de Regras Corânicas - o contexto (asbab) dos versículos mencionando, entre outras fontes, a autêntica tradição Profética (hadit). Escreveu:

 

Hudhayfah Ibn al-Yaman perguntou ao Profeta Maomé, paz e benção estejam sobre ele:

 

«Viajei mais de uma vez a Jerusalém, mas não vi nenhum Templo erguido lá. Qual é a razão?»

 

O Profeta Maomé respondeu:

 

«Salomão filho de David ergueu o Bayt al-Maqdis (em hebraico: Beth Hamikdash, o Primeiro Templo) com ouro e prata, com rubis e esmeraldas, e Allah fez com que seres humanos e espíritos trabalhassem sob o seu comando, até que a construção da Casa estivesse completa. Depois um Rei Babilónio destruiu o Bayt al-Maqdis e trouxe os seus tesouros para a terra da Babilónia, até um Rei da Persia o derrotar e resgatar os Filhos de Israel. Estes reconstruiram o Bayt al-Maqdis pela segunda vez (Segundo Templo), até que foi destruído uma segunda vez por um exército liderado por um Imperador Romano.»

Podemos facilmente verificar que as fontes Judaicas e Muçulmanas confirmam-se mutuamente: O Templo foi construído por Salomão e destruído por um rei Babilónio. Um rei Persa mais tarde derrotou os Babilónios e resgatou os judeus, permitindo-lhes regressar à Terra de Israel. O Templo foi reconstruído, mas foi destruído mais tarde pelos Romanos. Este Templo manteve-se erguido na área referida como Beth Hamikdash. Aqueles líderes políticos e pseudo-religiosos Palestinos que defendem que "nunca houve um Templo Judaico em Jerusalém" estão certamente conscientes que, de maneira a conseguir apoiar as suas reividicações políticas, estão compelidos a mentir, esconder fontes, e contradizer as palavras do Corão e da tradição Islâmica.

 

Um exegeta Corânico mais antigo, Imam Muhamad ibn Jarir at-Tabari, que viveu entre 838 e 923, escreve em Tarikh al-Rusul wa al-Muluk - História dos Profetas e Reis - que, a mesma área sagrada foi a mesma onde Jacob teve a visão da Escadaria Divina:

Quando Jacob acordou sentiu-se feliz pelo que viu no seu sonho confiante e prestou juramento, por amor a Deus, que se regressasse em segurança para junto da sua família, ele iria construir um Templo para o Todo-Poderoso. Também jurou caridade perpétua de um décimo da sua propriedade por amor a Deus. Derramou óleo na Pedra de maneira a reconhecê-la e chamou-lhe o local de Beth-El, que significa "Casa de Deus". Mais tarde tornou-se a localização de Jerusalém.

 

Em Jerusalém numa enorme Pedra, Salomão filho de David construíu um lindo Templo para expandir a veneração a Deus. Hoje, na base desse Templo, ergue-se a Cúpula do Rochedo.

A negação histórica de fontes Judaicas e Islâmicas relativas a Jerusalém é recente e não pre-data a OLP e a sua propaganda política. Em 1932, durante o período do Mandato Britânico, o Conselho Islâmico Supremo de Jerusalém publicou um Pequeno Guia do Haram as-Sharif para peregrinos Muçulmanos, escrito em Inglês. "Este local é um dos mais antigos no mundo" diz. "Sua santidade vem dos tempos mais antigos. Sua identidade com o local do Templo de Salomão é indiscutível. Este também é o local, de acordo com a crença universal, onde David construíu um altar para o Senhor e ofereceu ofertas queimadas e ofertas de paz."

 

Não somente os seguidores e herdeiros de Arafat tentaram reescrever a história de Árabes e Judeus na região conforme dita por outros; tentaram também reescrevê-la conforme dita pelas fontes Islâmicas.

 

LER TAMBÉM: Parte II e Parte III (em breve)



Publicado por Marco Moreira às 01:20
 
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