Domingo, 09 de Janeiro de 2011

O par de conceitos opostos que constituem uma dialéctica são conhecidos em terminologia filosófica como "tese" e "antítese" (i.e. anti-tese). Quando a tensão entre os dois eventualmente leva a uma terceira posição híbrida, é rotulado de "síntese". Uma dialéctica que consiste em somente dois conceitos, que nunca alcança uma resolução harmoniosa, é conhecida como uma dialéctica Kierkegaardiana. Se consiste em três posições, terminando em síntese (que de volta pode tornar-se a tese de uma nova dialéctica), é denominada uma dialéctica Hegeliana.

 

O Rabino Joseph B. Soloveitchik toma uma posição firmemente Kierkegaardiana no seu ensaio "Excelência e Humildade":

A dialéctica Judaica, ao contrário da Hegeliana, é irreconciliável e por isso interminável (...) Para Hegel, homem e sua história eram somente ideias abstractas; no mundo de abstracções, a síntese é concebível. Para o Judaísmo, homem sempre foi e continua a ser uma realidade viva (...) No mundo de realidades, a harmonia dos opostos é uma impossibilidade.

Este tipo de abordagem é raro na filosofia Judaica, que frequentemente tende a ser mais harmoniosa. Tem raízes, contudo, não somente na filosofia moderna, mas com a metodologia do Rav ¹ do estudo do Talmud. A hakira ² é também uma dialéctica irreconciliável.

 

A abordagem incondicionalmente Kiekegaardiana do Rav, levanta aqui a questão se existe uma motivação em todos os seus escritos filosóficos. Enquanto obras como "The Lonely Man of Faith" apresentam dialécticas irreconciliáveis, outras apresentam um retrato de personalidades mais harmonioso que descobrem uma síntese, como "Halakhic Man". É verdade que o homem halakhico é primeiramente descrito como o produto de uma dialéctica entre o homem científico e o homem religioso; mas a personalidade do homem halakhico emergente é inteiramente tranquila e harmoniosa.

 

Notas

 

¹ Rav - forma pela qual o Rabino Joseph B. Soloveitchk era universalmente conhecido.

 

² Hakira - doutrina filosófica judaica que procura provar a existência de Deus nos confins da lógica natural humana. Tenta estabelecer e explicar a nossa relação geral com Deus, o estudo da Tora, o desempenho das mitzvot, etc. em termos racionais.



Publicado por Marco Moreira às 22:14
 
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